O tempo e eu

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É provável, mas não é certeza, que tenho pela frente mais futuro do que passado. De qualquer maneira, sou grata por hoje, na dita “flor da idade”, poder ler o que Rubem Alves nos revelou, admirar esse ponto de luz e refletir sobre ele.

Esses dias li uma frase, do Chapeleiro de Alice, que diz assim: “se você conhecesse o Tempo tão bem quanto eu conheço, não falaria em gastá-lo como se fosse uma coisa. Ele é alguém.”

Eu sempre acreditei nisso. O tempo pode ficar profundamente magoado conosco, quando não lhe damos o devido valor. E que VALOR o Tempo tem!

—-

O TEMPO E AS JABUTICABAS – RUBEM ALVES

Contei meus anos e descobri que terei menos tempo para viver
daqui para frente do que já vivi até agora.
Tenho mais passado do que futuro…

Sinto-me como aquele menino que ganhou uma bacia de jabuticabas…
As primeiras, ele chupou displicente… mas percebendo que faltam poucas, rói o caroço…

Já não tenho tempo para lidar com mediocridades…
Não quero estar em reuniões onde desfilam egos inflados.
Inquieto-me com invejosos tentando destruir quem eles admiram,
cobiçando seus lugares, talentos e sorte.

Já não tenho tempo para conversas intermináveis…
Já não tenho tempo para administrar melindres de pessoas que,
apesar da idade cronológica, são imaturas…

Detesto fazer acareação de desafetos que brigaram pelo majestoso cargo de secretário geral do coral…

As pessoas não debatem conteúdos… apenas os rótulos…
Meu tempo tornou-se escasso para debater rótulos…
quero a essência… minha alma tem pressa…

Sem muitas jabuticabas na bacia, quero viver ao lado de gente humana, muito humana; que sabe rir de seus tropeços…
não se encanta com triunfos…
não se considera eleita antes da hora…
não foge de sua mortalidade..

Caminhar perto de coisas e pessoas de verdade…

O essencial faz a vida valer a pena…
e para mim basta o essencial…

 

———

Ilustração: pinterest

 

 

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