Objetivo de vida – para quem quer fazer uma boa arte

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Esses dias navegando pelo Facebook e com vontade de reclamar de tudo, comecei a refletir sobre meu tempo, meus objetivos e minha vontade de manifestar minhas ideias. Percebi que estava inconscientemente à deriva, não só nas redes sociais, mas também na vida, afinal de contas, eu já tenho objetivos! Ser uma escritora bem-sucedida, escrever muitos livros, crescer como ser humano entre outras coisas.

Cheguei à conclusão de que para realizar tudo isso eu preciso apenas de duas coisas: tempo e energia. Percebi que, lamentavelmente, estava desperdiçando tudo isso reclamando e discutindo. Oras bolas! Bolinhas e bolões…. Comecei a meditar a respeito e percebi que toda boa arte surgiu da inconformidade dos seus autores. Surgiu do desejo latente de manifestar algo que abordasse os temas e as experiências que essas pessoas queriam e precisavam tanto colocar para fora, mas ao invés de serem os “chatos do Facebook” (que a lista de amigos quase que inteira deixaria de segui-los), eles resolveram fazer uma boa arte!

Desde então fiz um pacto com minha artista interior. Desde então fortaleci a minha relação com ela, e nosso contrato de trabalho ganhou mais potência.
Parei de reclamar, parei de discutir e tenho canalizado toda essa energia em minha obra. Se agora ouço algo que me soa absurdo já não me chateio mais, trato logo de anotar para usar nos meus livros (temos ótimos discursos de vilões a nossa volta).

O artista é o inconformado que quis fazer mais que reclamar! Que quis fazer mais que discutir e enfiar a sua opinião na goela alheia, ele parou para meditar, elaborou um belo prato e ofereceu ao mundo, e o mundo, degustando cada ingrediente daquela saborosa receita, engoliu o que o artista queria oferecer e, até pediu bis.


limone

Se você parar para pensar, poderá perceber que o que chamamos de vida na verdade é um grande espetáculo, irreal, com o título irônico de: realidade. Os papéis de atuação de cada um estão à disposição para livre escolha.
Pergunte-se: qual é o meu personagem? Como quero ser lembrado? Por quem? Com qual motivo? Com qual argumento? Com qual objetivo? Absoluto ou relativo? Grandioso ou vulgar? A escolha do papel que lhe cabe é a maneira mais fácil de reconhecer o seu tamanho, o tamanho da sua obra, e consequentemente o tamanho da sua satisfação quando as luzes do espetáculo se apagarem. Será que você vai gostar da sua atuação? Aguentaria comer o prato que preparou?

Quero aproveitar essa temática para compartilhar com vocês um dos mais lindos discursos de um artista. Neil Gaiman! Um grande cara que poderia ser o cara mais chato do Facebook, mas virou um dos autores mais legais do mundo.
Ative a legenda em português

“Façam boa arte.
Eu estou falando sério. O marido fugiu com uma política(o)? Faça boa arte. Perna esmagada e depois devorada por uma jibóia mutante? Faça boa arte. IR te rastreando? Faça boa arte. Gato explodiu? Faça boa arte. Alguém na internet pensa que o que você faz é estúpido ou mau ou já foi feito antes? Faça boa arte. Provavelmente as coisas se resolverão de algum modo, e eventualmente o tempo levará a dor mais aguda, mas isso não importa. Faça apenas o que você faz de melhor. Faça boa arte.

Faça-a nos dias bons também.”
Neil Gaiman

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Créditos das ilustrações
Ilustração 01, 02: Pinterest

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